Mãe, já paraste para pensar que o ato de parir e criar um ser humano têm implicações que vão além do âmbito familiar? A maternidade, frequente e corretamente vista como uma experiência pessoal da mulher, experiência amorosa e desafiadora, supera a esfera privada e pode se configurar como um ato político singular.
O tornar-se mãe parece transcender o ato físico de parir. E aqui faço uma ressalva importante, pois quando utilizo o termo "parir", não me refiro unicamente ao evento do parto biológico. As mães que adotam vivenciam, de maneira igualmente profunda e transformadora, a experiência única de se tornarem mães.
Tornar-se mãe é uma experiência revolucionária porque ocorre o nascimento de um vínculo afetivo especial com o bebê, acontece o nascimento de um amor incondicional pela filha ou pelo filho. Esse amor embora não seja isento de desafios, manifesta-se genuinamente de muitas formas, já que se revela nos gestos de cuidado, na escuta atenta, na paciência que se renova, na orientação que guia, nas noites mal dormidas dedicadas ao bem-estar da filha ou do filho ou devido à preocupação com a segurança deles no mundo.
Como exemplo, imaginemos um barco navegando no mar que ora está calmo, ora está tempestuoso e revolto. A segurança da navegação vai depender das condições do clima e dos portos seguros que encontrar para ancorá-lo. A gestação, a adoção e o acolhimento são resultados da decisão pessoal da mulher. Essa escolha não é tomada no vazio, não! Ela é carregada de sonhos, expectativas, valores, ancestralidade , histórias familiares e também de certa vulnerabilidade.
Uma nova identidade começa a ser desenvolvida. A criação dos filhos, em qualquer circunstância, sempre envolve muitos desafios e preocupações, noites mal dormidas, mas também traz imensas alegrias, como um abraço espontâneo, um "eu te amo", uma risada gostosa, uma conversa, uma refeição juntos, um serviço, entre outros atos de afeto. Ah, como são rememoráveis!
Tornar-se mãe é um ato político, de profunda humanidade e esperança, pois todas decisões tomadas, desde a educação até os valores e atitudes transmitidas, moldam os futuros cidadãos e cidadãs e, consequentemente, a sociedade em que se vive.
Ao educar nossos filhos para o senso de empatia, respeito às diferenças, respeito ao outro, para a responsabilidade, justiça e cidadania, as mães participam ativamente da influência para um mundo mais educado, mais inclusivo e que seus cidadãos são conscientes de seus atos, cumpridores de suas responsabilidades e promotores do bem comum.
Por Lisiane Vieira Ortiz Martinez
Reflexão do Dia das Mães de 2025.