Hoje de manhã, assisti pelo youtube da mídia Ninja à manifestação democrática dos sindicatos e líderanças políticas em São Paulo. O Dia do Trabalhador costuma ser celebrado com discursos críticos e contundentes a favor da dignidade das trabalhadoras e trabalhadores, da valorização do trabalho e contra a exploração da classe.
A classe dominante inverteu o sentido do trabalho. Aquilo que deveria ser dignidade, autonomia e qualidade de vida passou a exigir cada vez mais tempo, energia e submissão. Jornadas extensas, múltiplos empregos e a constante pressão por produtividade criam uma rotina em que o descanso se torna um privilégio, e não um direito; é quase uma culpa. Nesse cenário "viver para trabalhar" deixa de ser uma metáfora e passa a ser regra.
Tenhamos em mente que essa dinâmica não é fruto do acaso, ela é a expressão prática do capitalismo que estrutura a sociedade a partir da exploração do trabalho à custa da saúde física, mental e do tempo do trabalhador. É o modelo que prioriza a acumulação do lucro acima das necessidades das pessoas.
A precarização das relações de trabalho, a flexibilização de direitos e a forma de contratação são outra forma reconfigurada de exploração quase invisível, mas bastante intensa. O fim da escala 6 X 1 em discussão no Congresso é a pauta que dialoga diretamente com a qualidade de vida dos trabalhadores.
É especialmente importante para as mães trabalhadoras que têm a necessidade de reequilibrar o tempo para família, responsabilidades domésticas e descanso. Com apenas um dia de folga, torna-se quase impossível conciliar trabalho e cuidado de forma equilibrada, o que impacta tanto o bem-estar da mãe quanto o dos filhos.
Situo o meu lugar de fala: atualmente, sou servidora pública do magistério estadual e municipal. Essa condição, embora marcada pela estabilidade relativa em comparação a outras categorias profissionais, não me exime, ao contrário, me convoca a refletir criticamente sobre o cenário das relações de trabalho.
A educação pública está inserida neste mesmo sistema, pois é atravessada por pressões, desvalorização e sobrecarga, o que reforça a necessidade de solidariedade com outras categorias. Nenhuma categoria está isolada, é fundamental reafirmar o sentido coletivo da luta trabalhista porque afinal, somos todos trabalhadores, a fragmentação só interessa à manutenção das desigualdades pelos grupos privilegiados.
É impossível ignorar, nesse debate, a contradição presente no próprio Congresso Nacional que faz jornada semanal de 3 x 4 (três dias trabalhados e 4 de folga), enquanto milhares de brasileiros estão submetidos semanalmente a 6 dias trabalhados por 1 folga. Essa assimetria escancara o distanciamento entre quem legisla e quem vive na prática, as consequências das leis.
Neste Dia do Trabalhador mais do que celebrar, precisamos lembrar que direitos não são concessões, mas conquistas históricas. Defender o direito de trabalhar para viver e não viver para trabalhar, pelo fim da escala 6x1, é reafirmar a centralidade da dignidade humana frente a um sistema que insiste em nos reduzir ao valor da produção.
Publicado em 01/05/2026 atualizado em 03/05/2026
por Lisiane Vieira Ortiz Martinez
Referência
https://www.youtube.com/watch?v=_7lxQyc0PT8
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