quarta-feira, 31 de maio de 2017

Repressão contra a liberdade de expressão não é democracia!

O poder policial , enquanto mecanismo de repressão do estado, contra as manifestações populares, ataca violentamente o direito fundamental da livre expressão garantido pela Constituição Federal.
Reza na Constituição Federal, art. 5º IV: é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado  o anonimato. 

Um dos argumentos  utilizados para  justificar a violência,  foi  o de que alguns manifestantes infiltrados e mascarados  depredaram o patrimônio público, isto de fato aconteceu, Infelizmente algumas pessoas aproveitam-se de atos públicos para se manifestar de forma violenta com intuito de praticar vandalismo e desabonar os movimentos populares.

A verdadeira  manifestação democrática  não pode ficar resumida à narrativa  unilateral da imprensa, pois ela busca a  desmobilização,  silenciando a voz dos movimentos dos trabalhadores que são contrários às medidas nefastas do governo Temer: a  reforma trabalhista e a reforma da previdência.

Foi descabida a repressão, foi truculenta a violência dos órgãos policiais  contra os movimentos sociais, contra a classe trabalhadora,  contra os mais fracos, socialmente desiguais.  É também uma forma de violência simbólica  contra  as lutas de grupos considerados minoritários, entre eles estão: a luta contra os indígenas a luta dos quilombolas, a luta por terra,  a luta por um teto ,  a luta por emprego e a luta pela classe e pelo cargo, como é a luta dos servidores de empresas  públicas que estão à mercê da privatização.

                                   

A repressão policial esteve  presente ostensivamente nas manifestações populares  de Brasilia , Porto Alegre, Rio de Janeiro e Goiânia.  Para finalizar com o som de  trombetas e  reforçar ainda mais a narrativa negativa dos protestos, o presidente Temer convoca  o uso das Forças Armadas para conter a manifestação. Apesar de ter revogado o decreto, deixou um gosto amargo pelo fato de o Exército agir contra civis e achacar as manifestações,  atacando a democracia.


Que tipo de sociedade é a nossa que aceita  ser governada por alguém , como Michel Temer,  flagrado em gravação com bandido de empresa privada? Que tipo de presidente ele é,   que  não zela pelo compromisso com a  ética e a transparência de seus atos institucionais e que recebe bandido   na calada da noite, no  palácio, onde reside , em função  do cargo?

Que tipo de tramoia ou pacto  há entre  Temer e a imprensa do país, que trata a situação suja e  imoral dele como se fosse um blefe?  A imprensa tem sido   muito compassiva,  talvez seja porque ambos têm em comum, o compromisso com o Mercado Financeiro.

Mas quem é este Mercado que ouve-se falar,  para quem a imprensa trabalha e  na qual, Temer e seus comparsas prometeram  entregar as reformas?

Boaventura dos Santos (1999) explica: " Esta nova economia-mundo duplica-se  numa nova economia politica, o modelo neo-liberal, imposto pelos países centrais aos países periféricos e semi-periféricos do sistema mundial, fundamentalmente através das instituições financeira dominada pelos primeiros e em que se destacam o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Nos termos desta nova economia política, as economias nacionais devem ser abertas ao comércio internacional, as politicas fiscais e monetárias devem ser claramente protegidos contra as nacionalizações, as empresas nacionalizadas devem ser privatizadas, a legislação laboral deve ser flexibilizada e em geral, a regulação estatal da economia e do bem estar social deve ser reduzido ao mínimo. O impacto desta economia política no sistema de desigualdade é devastador tanto a nível global como ao nível do espaço nacional.  A nível muito geral, o impacto consiste na metamorfose do sistema de desigualdade em sistema de exclusão."

Não podemos aceitar, calados, um  governo envolvido com corrupção e malfeitos, sem protestar! Ademais, quando colocamo-nos contrários as manifestações populares, estamos apontando o canhão para o próprio pé.











Referências

Adalia helena blogger :pesquisa por imagem
Boaventura de Sousa Santos, A construção multicultural da igualdade e da diferença, 1999, Oficina do CES nº 135.
Constituição Federal, 1988.
http://brasil.elpais.com/brasil/2017/05/24/política