quinta-feira, 30 de junho de 2016

Lembrai-vos dos encarcerados, Hebreus 13.( Parte 1)

Este texto é  uma breve reflexão  sobre a parcela da população que está esquecida pelo poder público. Minha  intenção é dedicar um tempinho  para lembrar a situação daqueles que estão apartados da sociedade porque em algum tempo de suas vidas, cometeram   crime.

Refiro-me à população carcerária. O escrito conhecido como a Carta aos Hebreus aprofunda o ensinamento de Paulo sobre a vida comunitária na caridade, tratando sobre o assunto: "Perseverai no amor fraterno. Não descuideis da hospitalidade, pois graças a ela, alguns hospedaram anjos, sem o perceber. Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos que são maltratados, pois também vós tendes um corpo." (Hb 13:1-3)

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Na faculdade de Direito, aprendi que a  pena possui  caráter punitivo e ressocializador. O caráter punitivo da pena está relacionado com a proporcionalidade, isto é,  cada crime tem que ser reprimido com  uma sanção proporcional ao mau causado. O caráter ressocializador dá ao preso condições para reintegração social, portanto presume-se que o apenado desenvolva condições de tornar-se útil a si mesmo, à família e à sociedade.

A Lei 7.210/84 em seu art. 1º prevê: "A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado."
  • Será que  é possível reintegrar alguém num ambiente lesivo e  degradante ?
  • Quais ações  são desenvolvidas para que efetivamente o apenado tenha condições de reinserção na sociedade?
Somente o poder público, na figura dos governantes, é que podem  explicar os motivos que justificariam o abandono e o descaso,  mas a falta de projetos e de investimentos voltados para educação,  trabalho do preso  e a falta de  infraestrutura dos presídios são os  que mais chamam a atenção.

A superlotação das cadeias equipara-se a um  depósito de pessoas e fere o direito fundamental do preso previsto no artigo  5º, inc. XLIX  da Constituição Federal e o artigo V da Declaração universal dos direitos humanos que diz: " Ninguém será submetido à tortura nem a   tratamento  ou castigo cruel, desumano ou degradante".

O  relatório  de 2015 da CPI   do Sistema carcerário traz as seguintes informações relativas ao ano de 2014:

População Carcerária Brasileira 
População prisional 607.731
 Vagas 376.669 
Déficit de vagas 231.062
(Fonte: Ministério da Justiça)

O déficit de vagas é uma certeza que preocupa, pois  tal realidade indica que para cada 10 vagas existentes no sistema, existem 16 indivíduos encarcerados.
 Entre os encarcerados, 41% cumpre medida provisória, isto é, estão privados de sua liberdade sem a devida condenação,  e  a maioria dos presos que estão encarcerados cometeram tráfico de drogas. Outro dado relevante do relatório indica que apenas 16% da população prisional trabalham, e somente 11% estudam.

O relatório anterior, de 2008 foi  mais específico, pois descreveu a realidade: "(...) celas superlotadas, ocasionando insalubridade, doenças, motins, rebeliões, mortes e degradação da pessoa humana. Nas visitas da CPI, os parlamentares encontraram homens amontoados como lixo humano em celas cheias, se revezando para dormir ou dormindo em cima do vaso sanitário; em outros estabelecimentos homens seminus gementes em cela entupida de gente, sob  temperatura de 50º C. A situação dos presídios femininos é a mesma, com crianças recém nascidas em celas sujas.

Este é um problema  mal resolvido pelo poder público! Provavelmente os projetos existentes, estão engavetados, perdidos em meio à burocracia.

Sabemos que o sistema penitenciário deve assegurar os direitos fundamentais do preso e garantir o pleno exercício dos direitos não atingidos pela sentença penal, pois os mesmos estão sob a tutela do Estado, entretanto, constata-se que isto não corresponde à realidade.


Referência

Câmara de Deputados - CPI - Sistema Carcerário Brasileiro, agosto/2015.
Bíblia Sagrada, Hebreus , cap. 13,versículos 1-3





quarta-feira, 15 de junho de 2016

A objetificação do corpo feminino é alimento para a cultura machista.

Outro dia, eu    e     minha filha adolescente de 17 anos  conversávamos  sobre   práticas " machistas" cujo centro é a  mulher. Sem fazer julgamentos preconceituosos, analisávamos a hipersexualização do corpo feminino em relação algumas profissões que trazem notória visibilidade.

A hipersexualização do corpo feminino  está tão enraizada entre nós, que provavelmente, não se questiona  isto, quando o corpo da mulher está estampado nas propagandas publicitárias utilizadas com o fito de  promover produtos, perfumes, propagandas de cervejas e outras bebidas, carros, times de futebol, escolas de samba, concursos de beleza.

 É a formosura do corpo sendo premiada, sob o título de" Musa  do brasileirão", "Musa do gauchão", "Musa do carnaval, " "Miss", "Garota verão". Outra versão, em  que mostra a objetificação do corpo da  mulher, sendo oferecida  como prêmio, disponibilizada para o desejo do homem,   é a propaganda publicitária do perfume Invictus, da Paco Rabbane. Abaixo, está  o link.
https://www.youtube.com/watch?v=Q8lxGGx0R04

Lembro-me que na infância era muito comum ver nas paredes das oficinas mecânicas, calendários do ano e  pôster de mulheres nuas e  seminuas,  em poses sensuais, patrocinando óleo de motores e modelos de carros.

A literatura brasileira,  assim como a  Bíblia que é  considerada o livro sagrado que guia a maioria das religiões,  também traz o relato sobre o uso do corpo da mulher  como produto e objeto de troca, e as histórias mencionadas, não  são aquelas que se referem às prostitutas.

 Logo, em nossa conversa de mãe e filha, chegamos à conclusão que a objetificação do corpo feminino está  em nossos costumes, tão naturalizado  no cotidiano e  em todos os meios sociais, que sem refletir sobre os aspectos que  alimentam  a cultura machista, chegamos até  achar bonitinho!


domingo, 12 de junho de 2016

Fundo do poço tem mola?

Fundo do poço é uma figura de linguagem comumente  usada para expressar grande tristeza provocada pelas experiências negativas. De acordo com o dicionário de expressões é ficar na miséria, totalmente arrasado ou profissionalmente acabado.
Respeito os pontos de vista contrários, mas na minha opinião fundo do poço tem mola sim! Todavia, você precisa saber como encontrá-lo, para usar este recurso a seu favor. A vida  é a professora mais eficiente para nos ensinar a usá-lo.

As experiências tristes e dolorosas não dependem da idade, grau de instrução ou  classe social, elas acontecem  em qualquer momento da vida, logo se você ainda não  enfrentou, por certo enfrentará  as adversidades e os momentos difíceis que  frequentemente são motivados por questões diversas, como falta de  emprego por longo tempo, doença, morte, divórcio, traumas , etc. E são eles que  fazem com que nos sintamos no fundo do poço.
google imagens

 Algumas pessoas  com mais facilidade , conseguem superar e construir caminhos positivos diante de situações negativas e adversas,  ou seja, parece que encontram a mola mais rapidamente do que outras.
Esta mola pode ser qualquer coisa que ajude você a superar seus problemas e a sair do poço,  bem como  a fé e a esperança.
Como vivemos num universo onde há pessoas que acreditam em Deus e  também outras que não creem,  não há somente uma  receita que seja genérica para todos. Digo isto, em respeito às pessoas que se dizem ateus e  aos  agnósticos.
Vale dizer  que indagações e perguntas como: "Por que isto aconteceu comigo?" não ajudam muito, os "por que" só aumentarão e acabaremos ficando mesmo é sem respostas e com a sensação de autocomiseração.
Para aqueles que tem  Cristo no coração assim como eu,  afirmo  que a mola  para sairmos do fundo do poço é a fé nele. Se olharmos para sua história de vida, perceberemos que ele venceu muitas adversidades e especialmente,  a cruz.
Com Cristo, é possível  encher a vida de esperança, amor e fé, ferramentas fundamentais para saída e superação de todas as adversidades.
E você como conseguiu  sair  do fundo do poço? Compartilha comigo a sua experiência.




http://www.dicionariodeexpressoes.com.br/

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Você abraça ou joga pedras na vítima?

Este artigo foi publicado no blog Uol notícias, cotidiano.  Aborda a opinião da socióloga Eva Blay, da subsecretária de direitos humanos de São Paulo, Djamila Ribeiro e da cientista política Priscila Brito sobre a cultura machista e misógina em que estamos inseridas. A reportagem é de Maria Julia Marques, da Uol, em (27/05/2016) . 
"O estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro desencadeou uma ampla discussão nas redes sociais. Entre mensagens de apoio à vítima e de indignação com caso, havia também diversos comentários que apontam culpa da menina na agressão.
"Ela não deveria ter ido ao baile, não deveria estar na rua aquela hora e por isso o estupro", publicou um internauta. "Foi burra, não tem idade para beber e talvez tenha usado outras coisas, mulher tem que se preocupar se vai ser estuprada", disse outro. E um terceiro comentário afirmava que "se tivesse em casa estudando, que é o lugar certo para menina de 16 anos, isso não teria acontecido."
A socióloga e professora aposentada da USP (Universidade de São Paulo) Eva Blay afirma que o raciocínio de julgar a vítima e não os agressores está na instauração de uma cultura machista e misógina no país. "A mulher não é vista como um ser humano, e sim, como um objeto a ser usado pelo homem".
"Tem que ser claro que a culpa é sempre do estuprador", afirma Djamila Ribeiro, subsecretária de direitos humanos na Prefeitura de São Paulo. Segundo a ativista, tentar justificar a agressão é uma forma de diminuir a responsabilidade dos homens na violência.
A mulher tem o direito de estar no espaço público, de ser autônoma, de vestir o que quiser. Isso não abre espaço para ninguém a questionar ou violentar."
Djamila Ribeiro
Para a cientista política Priscila Brito, do movimento Articulação de Mulheres Brasileiras, é preciso aprofundar o debate para que a população possa combater o machismo que está por trás de crimes como esse.
"A cultura do estupro da nossa sociedade promove o discurso: que a mulher é culpada por ter provocado o estupro de alguma maneira. Ou porque ela usou roupa curta, porque seduziu o cara, porque estava andando sozinha à noite. Não é justificável, mas a cultura acaba promovendo isso. Como a gente vive em uma sociedade machista, as pessoas tendem a procurar motivos para justificar a violência contra a mulher, desde a violência doméstica até o estupro", lamentou.
Para mostrar que não há justificativa para dizer que "a mulher pediu para ser estuprada", a Eva Blay relembra casos que acompanhou e que fogem das desculpas padrões de provocação.
Existem casos dentro de escolas, dentro do próprio casamento, casos com idosas, com bebês recém-nascidos. [A única coisa que se repete] é o desejo de dominação e violência por parte do agressor."
Eva Blay
Uma mulher é estuprada no Brasil a cada 11 minutos, segundo estatística recolhida pela Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ao todo, no Brasil, 47,6 mil mulheres foram estupradas em 2014, última estatística divulgada. No Estado do Rio, foram 5,7 mil casos.
A socióloga acredita que grandes barbáries como o caso do estupro coletivo no Rio acendem uma importante discussão sobre como a sociedade abraça a vítima e como os próximos casos serão tratados no Brasil.
Depois destas opiniões, eu pergunto sobre a sua postura: Você abraça ou joga pedras na vítima?
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2016/05/27/a-mulher-nao-e-vista-como-ser-humano-afirma-sociologa.htm