O acontecimento com as jovens do Rio de Janeiro e do Piauí, estupro coletivo, é um insulto e uma violência simbólica com todas as mulheres. Como os estupradores não pensaram em suas mães, suas irmãs, suas avós, suas filhas, suas esposas?
O estupro é um crime tão nefasto que consta da lista dos crimes hediondos, no código penal. As estatísticas mostram que no Brasil a cada 11 minutos, uma mulher é vítima desta barbárie. É apavorante!
No Congresso, tramita a PL 5069/13 de autoria do E.Cunha que se for aprovada, dificulta o atendimento das vítimas de estupro na rede pública de saúde. E a PL 6055/2013 que revoga a lei 12845/13. A vítima deverá fazer o exame de corpo de delito para interromper a gravidez e esta, é a intenção dos legisladores: barrar o aborto, pois eles entendem que a Lei 12845/13 prepara o terreno para a descriminalização do aborto. É simplesmente terrível e revoltante!
Será que eles pensariam isto, se fossem os homens as vitimas? Com certeza, não!
Eu assisti o pronunciamento à imprensa dos delegados responsáveis pelo caso do RJ, Alessandro Thiers e confesso, fiquei bastante incomodada pelo fato do inquérito estar sob a responsabilidade da delegacia de repressão aos crimes de informática e não com delegacia da criança e adolescente, também pelas declarações dadas por ele , pois pareceu que o mesmo duvidava dos fatos, ensejando subliminarmente a culpa à adolescente e tal impressão concretizou-se posteriormente, no modo como conduziu a oitiva da vítima, com a presença de três homens na sala.
Sinceramente, eu sei que a investigação é um procedimento importante e que o delegado Thiers estava trabalhando com seriedade, porém, o crime de estupro, além de ser o crime principal do inquérito, é de longe muito mais grave do que o crime da internet. A vítima deve ser protegida de todos os possíveis constrangimentos e situações que possam agravar seu estado psicológico.
Por outro lado, foi essencial a advogada da adolescente Eloisa Samy, solicitar ao Ministério Público o afastamento do caso do delegado Thiers que não conduziu o caso com a devida cautela, fazendo questionamentos constrangedores perguntando se ela já tinha participado de sexo em grupo. Esta pergunta revela inabilidade do delegado com a vítima.
Chega de questionamentos machistas, de comentários preconceituosos que buscam minimizar o crime ou jogar a culpa para as vítimas. É preciso educar as novas gerações sobre a importância do respeito às mulheres. A vítima nunca é culpada!
http://oglobo.globo.com/rio/chefe-da-policia-civil-anuncia-troca-de-delegacia-em-caso-de-estupro-coletivo-19392785
http://oglobo.globo.com/rio/chefe-da-policia-civil-anuncia-troca-de-delegacia-em-caso-de-estupro-coletivo-19392785

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