quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Lembrai-vos dos Encarcerados, parte 2. Projetos Ressocializadores

"- Eu já cheguei a pensar que não teria mais jeito na prisão. A cadeia não ressocializa ninguém, o trabalho sim. Eu encontrei a felicidade, tenho uma nova vida."
Esta declaração é de um apenado que cumpre pena no Estado do Espírito Santo e que participa de um projeto de ressocialização,  a reportagem é do site G1.

O trabalho é um fator muito importante para a sociedade, pois  perpassa o provimento  do capital, envolve necessidades humanas pessoais. Através dele há produção de  bens, os quais promovem desenvolvimento individual, familiar e da nação. Ele favorece a influência plena sobre o sujeito e  sua relação com o meio onde vive.

Considerando os benefícios que  o  trabalho traz , entendo que os apenados poderiam desenvolver atividades laborais na maior parte do tempo, tais como:  prestar serviço de forma organizada e permanente dentro do presídio, participar de projetos de  estudos e formação profissional. Trabalhar durante o tempo de cumprimento da pena afetaria diretamente a autopercepção e a valorização pessoal do apenado, com isto alcançaria benefícios para si mesmos e para a sociedade Isto é o que entendo por "ressocialização".

A classe política do país, responsável pela elaboração de leis,  dá pouca importância para a questão, pois até hoje,  são raras   as   alternativas com foco na  ressocialização  do preso.  Acontece que  ao sair da cadeia o apenado estará na mesma condição de quando ingressou lá, pois durante o tempo de reclusão ou detenção,  não houve investimento para que a mudança de mentalidade deste sujeito venha a  acontecer.   A ociosidade é ruim, pois adoece a mente e o espírito. Nesta perspectiva, a pena cumpre tão  somente o caráter punitivo.

Para que projetos como este se efetivem, são necessários  recursos financeiros,  pessoal e logístico que atendessem, por exemplo: a) classes de estudo com nível fundamental e médio (EJA), pois através delas os apenados poderiam continuar os estudos; b) projeto de leitura; c) oficinas de alvenaria, marcenaria, carpintaria, pintura e outras técnicas que proporcionassem aos detentos desenvolver-se profissionalmente e, como contrapartida,  realizariam consertos,  manutenção de mobília escolar (dentro do próprio presidio) , pintura interna das salas de aulas,   fachadas das escolas públicas,  para aqueles apenados que progredirem para o regime semiaberto.

A princípio,   participariam do projeto das oficinas  apenados  aprovados nos  testes psicológicos, porém todos deveriam frequentar as classes escolares instaladas dentro do presídio e também participar do projeto de leitura, inclusive  aqueles  indivíduos considerados de alta periculosidade.

Em Colatina, no noroeste do Espírito Santo os detentos do regime semiaberto utilizam o período do dia para trabalhar e auferir salário pelos serviços prestados,  à noite, voltam para o presídio para dormir.

Quem acompanha o grupo relata a boa vontade e o valor dado à liberdade de sair e trabalhar.
A reportagem é do site G1. http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2015/04/trabalho-ajuda-na-ressocializacao-de-detentos-em-colatina-es.html

O projeto de ressocialização citado na reportagem incentiva às empresas privadas a contratarem os presos, tendo como custo apenas o pagamento do salário, sem pensar no futuro A ideia é boa, mas satisfaz somente o interesse da empresa privada, quando  há sérios problemas com a falta de manutenção  nos prédios das escolas públicas, por exemplo.

De acordo com matéria publicada na revista Escola pública, menos de 15% das escolas brasileiras tem um nível considerado adequado de infraestrutura e apenas  0,6% alcançam  padrão avançado.
5% das escolas ainda não tem acesso à água e energia.

As desigualdades se refletem nas condições das escolas e as unidades rurais de áreas mais pobres, principalmente no Norte e Nordeste do país,  são as que apresentam as piores situações, tais como escola sem parede em que os alunos precisam trocar de lugar conforme o movimento do sol, mobiliário estragado pela umidade e  comido por  cupins,  goteiras, pisos de terra batida e latrinas ainda fazem parte da realidade das escolas brasileiras. Pergunto:

Quando  a classe política brasileira deixará o  "fazer de conta" e começará a  trabalhar efetivamente pelos problemas sérios que o país enfrenta?

Os gastos bilionários com a corrupção e o enriquecimento  ilícito de alguns poucos rouba da sociedade as quantias necessárias que poderiam ser destinadas ao enfrentamento efetivo dos problemas do sistema penitenciário, educação, trabalho , saúde e segurança pública.

Talvez estes assuntos não deixarão de compor a retórica eleitoreira de quem almeja  o poder, pois é fato   que somente  na época de eleições são rememorados. Basta, não é isto que  se quer!






Referências


http://revistaescolapublica.com.br/textos/39/espaco-para-o-ensino-319357-1.asp
http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2015/04/trabalho-ajuda-na-ressocializacao-de-detentos-em-colatina-es.html
http://revistaescolapublica.com.br/textos/39/espaco-para-o-ensino-319357-1.asp





Nenhum comentário:

Postar um comentário