Certo dia li numa publicação o seguinte pensamento: "Quando nossa fé é acompanhada de ação contínua e constante, enche a alma de paz e amor. Com a promessa dessa bênção, podemos fazer a diferença e poderemos ver isso em nossa vida se dedicarmos tempo para prestar serviço cheio de fé. Você pode orar todas as manhãs, pedindo que Deus o ajude a servir ao próximo. Peça que lhe mostre quando um de seus irmãos precisar de ajuda com uma tarefa doméstica ou quando um amigo necessitar de um elogio. Depois, quando receber uma inspiração, aja." (Servir ao próximo com fé, D. Utchdorf, A liahona)
Por que é preciso fé para servir ao próximo? Acaso não podemos ser movidos intimamente pela virtude da bondade? acaso somos desprovidos da capacidade de pensar nas necessidades de outra pessoa? acaso o ser humano não possui discernimento, a ponto de ter que buscar a Deus para decidir se deverá tão somente elogiar alguém ?
Esta ideia parece instigar à dependência de Deus, a tal ponto que o fiel não consiga pensar por si mesmo e agir conforme sua razoabilidade, segundo a sua própria virtude de bondade. O senso comum vê a dependência de Deus como algo positivo e necessário e é sabido que em muitas situações nos encontraremos como um filho que recorre a seu pai. Mas, o fato de recorrermos a Deus, não pressupõe o desencorajamento de agir por desejo próprio ou instigar a sentir a falta de confiança em si mesmo.
Não estou afirmando que não devamos recorrer a Deus, se você tem fé irá buscá-lo, bem como irá reconhecê-lo e terá também um coração agradecido pelas experiências vividas, contudo, ele dotou-nos de inteligência e de virtudes que confere à pessoa a autonomia de agir em favor do próximo, sem esperar algo em troca, mesmo que seja de Deus, aliás, principalmente por ele.
Examinemos agora, as intenções da ação de ajudar o outro, e sua motivação: "Com a promessa dessa bênção, isto é, de ter a alma cheia de paz e amor (grifo meu), podemos fazer a diferença e ver os resultados em nossa vida."
Nesta perspectiva, conclui-se que o fiel que " ora a Deus para que possa ajudar o outro", sob a condição descrita acima, só o faz porque está pensando em si mesmo, isto é, está esperançoso quanto às bênçãos que poderá receber. O sentimento de auxilio ao próximo está condicionado aos seus interesses pessoais. Seria uma forma de barganhar Deus em troca das possíveis bênçãos? Tal atitude movida por interesses egoísticos demonstra não só a falta de amor, mas igualmente a falta de caridade!
"Um doutor da lei se levantou e, querendo experimentar Jesus, perguntou:" Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna? Jesus lhe disse: "Que está escrito na lei? Como lês?" Ele respondeu: Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com todo o teu entendimento; e teu próximo como a ti mesmo. Jesus lhe disse: "Respondeste corretamente. Faze isso e viveras!"
Ele porém, querendo justificar-se disse a Jesus : "E quem é o meu próximo? Jesus retornou: " Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o quase morto.
Por acaso, um sacerdote estava passando por aquele caminho, quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado. Mas um samaritano, que estava viajando, chegou perto dele, viu, e moveu-se de compaixão.
Aproximou-se dele e tratou-lhe as feridas, derramando nelas óleo e vinho. Depois colocou-o em seu próprio animal e o levou a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, pegou dois denários e entregou-os ao dono da pensão, recomendando: Toma conta dele!Quando eu voltar, pagarei o que tiveres gasto a mais." Na tua opinião -perguntou Jesus - qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?" Ele respondeu: "Aquele que usou de misericórdia para com ele." Então Jesus lhe disse: "Vai e faze tu a mesma coisa." (Lucas 10:25-37)
A atitude do samaritano é um bom exemplo de ação sob a virtude da bondade, pois foca as necessidades de outra pessoa, sem pensar nos próprios ganhos, é agir sob a virtude da bondade. Essa é a atitude correta a ser adotada, como consta na passagem em Lucas.
Referências
Bíblia Sagrada, livro de Lucas
Ucthdorf, D. - A Liahona, pág. 6 - "Servir ao próximo com fé." - abril/2017.
Esta ideia parece instigar à dependência de Deus, a tal ponto que o fiel não consiga pensar por si mesmo e agir conforme sua razoabilidade, segundo a sua própria virtude de bondade. O senso comum vê a dependência de Deus como algo positivo e necessário e é sabido que em muitas situações nos encontraremos como um filho que recorre a seu pai. Mas, o fato de recorrermos a Deus, não pressupõe o desencorajamento de agir por desejo próprio ou instigar a sentir a falta de confiança em si mesmo.
Não estou afirmando que não devamos recorrer a Deus, se você tem fé irá buscá-lo, bem como irá reconhecê-lo e terá também um coração agradecido pelas experiências vividas, contudo, ele dotou-nos de inteligência e de virtudes que confere à pessoa a autonomia de agir em favor do próximo, sem esperar algo em troca, mesmo que seja de Deus, aliás, principalmente por ele.
Examinemos agora, as intenções da ação de ajudar o outro, e sua motivação: "Com a promessa dessa bênção, isto é, de ter a alma cheia de paz e amor (grifo meu), podemos fazer a diferença e ver os resultados em nossa vida."
Nesta perspectiva, conclui-se que o fiel que " ora a Deus para que possa ajudar o outro", sob a condição descrita acima, só o faz porque está pensando em si mesmo, isto é, está esperançoso quanto às bênçãos que poderá receber. O sentimento de auxilio ao próximo está condicionado aos seus interesses pessoais. Seria uma forma de barganhar Deus em troca das possíveis bênçãos? Tal atitude movida por interesses egoísticos demonstra não só a falta de amor, mas igualmente a falta de caridade!
"Um doutor da lei se levantou e, querendo experimentar Jesus, perguntou:" Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna? Jesus lhe disse: "Que está escrito na lei? Como lês?" Ele respondeu: Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com todo o teu entendimento; e teu próximo como a ti mesmo. Jesus lhe disse: "Respondeste corretamente. Faze isso e viveras!"
Ele porém, querendo justificar-se disse a Jesus : "E quem é o meu próximo? Jesus retornou: " Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o quase morto.
Por acaso, um sacerdote estava passando por aquele caminho, quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado. Mas um samaritano, que estava viajando, chegou perto dele, viu, e moveu-se de compaixão.
Aproximou-se dele e tratou-lhe as feridas, derramando nelas óleo e vinho. Depois colocou-o em seu próprio animal e o levou a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, pegou dois denários e entregou-os ao dono da pensão, recomendando: Toma conta dele!Quando eu voltar, pagarei o que tiveres gasto a mais." Na tua opinião -perguntou Jesus - qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?" Ele respondeu: "Aquele que usou de misericórdia para com ele." Então Jesus lhe disse: "Vai e faze tu a mesma coisa." (Lucas 10:25-37)
A atitude do samaritano é um bom exemplo de ação sob a virtude da bondade, pois foca as necessidades de outra pessoa, sem pensar nos próprios ganhos, é agir sob a virtude da bondade. Essa é a atitude correta a ser adotada, como consta na passagem em Lucas.
Referências
Bíblia Sagrada, livro de Lucas
Ucthdorf, D. - A Liahona, pág. 6 - "Servir ao próximo com fé." - abril/2017.

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