sábado, 16 de abril de 2016

Quem deve meter a colher em briga de marido e mulher?

A violência contra a mulher ainda está presente em muitos lares de todas as classes sociais. Por isto é preciso refletir, falar, escrever sobre o assunto. Eu acredito que o diálogo é o meio de  conscientizar vitimas, educar e conscientizar agressores, conscientizar a sociedade. Minha opinião é que não cabe mais o clichê: "Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher".Não, não cabe mais! Este é um problema social, portanto é um problema de todos.

O  meu primeiro texto  sobre a violência contra mulher foi  publicado no mês de janeiro.  De lá para cá, entre a publicação de outros textos neste blog, venho pesquisando  na internet para ver a realidade da violência demonstrada pelos números. As publicações de dados do corrente ano que encontrei, são dados por Estados. Para a decepção de todos, os números desvelaram a face preocupante da violência, mostrando que ela ainda está presente. Isto impõe ao Estado o cumprimento do dever de desenvolver políticas públicas, relativas à proteção da mulher, suporte psicológico para a vitima e seus filhos e medida educativa para o agressor, além das implicações penais. Os dados relativos a 2015 são os seguintes:
Dados nacionais sobre violência contra as mulheres
Apesar de ser um crime e grave violação de direitos humanos, a violência contra as mulheres segue vitimando milhares de brasileiras reiteradamente: 38,72% das mulheres em situação de violência sofrem agressões diariamente; para 33,86%, a agressão é semanal. Esses dados foram divulgados no Balanço de atendimentos da Central de atendimento à mulher - Ligue 180.

Quem são os agressores? "Em 67,36% dos relatos, as violências foram cometidas por homens com quem as vítimas tinham ou já tiveram algum vínculo afetivo: companheiros, cônjuges, namorados, ex-companheiros, ex-cônjuges, ex-namorados ou ex-amantes das vítimas. Já em cerca de 27% dos casos, o agressor era um familiar, amigo, vizinho ou conhecido."


Quando começou a violência? "Os atendimentos de 2014 revelaram que os episódios de violência acontecem desde o início da relação (13,68%) ou de um até cinco anos (30,45%)."

Quantos e quais os tipos de denúncias? "No total de 63.090 denúncias de violência contra mulher, 31.432 corresponderam a violência física (49,82%); 19.182 de violência psicológica(30,40%); 4.627 de violência moral (7,33%), 1.382 de violência patrimonial (2,19%), 3.064 de violência sexual (4,86%), 3.071 de cárcere privado (1,76%) e 332 envolvendo tráfico (0,53%). Os atendimentos registrados pelo Ligue 180 revelaram que 77,83% possuem filhos (as) e 80,42% destes(as) filhos(as) presenciaram  ou sofreram a violência juntamente com suas mães.

Quais são as consequências para as vitimas e seus filhos(as)? As consequências psicológicas e comportamentais decorrentes da violência são extensivas não só no presente, mas também ao futuro da vítima e  dos filhos(as) que presenciam o ato contra suas mães.
Segundo Martinez," Estar inserido  em um ambiente familiar,  no qual constantemente, os pais são agressivos entre si, ou mesmo com os filhos, favorece uma concepção naturalizada de violência. São mulheres que cresceram vendo o pai bater na mãe, esta bater nos filhos, o filho mais velho bater nos mais novos e estes bater nos colegas, reproduzindo um ciclo constante de violência. Desta forma, o  apanhar passa a não simbolizar desamor,  mas sim, uma forma de estruturar como pessoa em que o subjugar-se ao outro é um modelo aprendido na infância". 
                                                                
O ciclo de violência acarreta segundo Cardoso "pessoas inseguras, com baixa auto-estima, com ausência de senso crítico sobre a violência  e dificuldades de estabelecer relações positivas."

As fases  que constitui a violência são distintas, variam em intensidade, no tempo e de casal para casal,  não aparecendo em todos os relacionamentos. 
Conforme Aguiar, "1- a fase de construção:  em que ocorrem incidentes verbais, chutes e empurrões. Neste momento , as vítimas costumam usualmente acalmar o agressor, se responsabilizando pelos problemas dele,esperando com isso, ganhar algum controle sobre a situação e mudar seu comportamento.
2- A segunda fase é caracterizada por uma descarga de tensão, sendo a mulher espancada, independente de seu comportamento diante do homem, que utiliza objetos e armas para agredi-la. 
3- Já a terceira fase corresponde a uma temporária reconciliação,que é marcada pelo extremo amor e comportamento gentil do agressor, que tem consciência do exagero de suas ações,submetendo-se ao arrependimento, pede perdão, prometendo controlar sua raiva e não feri-la novamente.

Devido a violência vivenciada, a vítima corre o risco de desenvolver uma percepção equivocada da situação, culpando-se ou mesmo convencendo-se das mais variadas justificativas,como se conflitos, divergências e estresse apontassem para violência como solução . É preciso quebrar o ciclo da violência e também a ideia simplista e machista de atribuir à mulher a culpabilização pelo ato do agressor. A mulher, bem como seus filhos e filhas, são as vítimas. As marcas das agressões ficam gravadas não só no corpo da vitima, mas no seu psicológico, na sua auto percepção, na sua alma. Logo,  é necessário substituir  o silêncio pela denúncia, a violência pela cura, a impunidade pela punição. 

Pergunto a sua opinião estimado (a) leitor (a): Quem deve meter a colher em briga de marido e mulher?




Referências


http://www.birita.com/design/violencia-contra-a-mulher/
http://www.compromissoeatitude.org.br/dados-nacionais-sobre-violencia-contra-a-mulher/
http://newpsi.bvs-psi.org.br/tcc/152.pdf

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