quinta-feira, 19 de maio de 2016

É mais do mesmo?

Cada matéria jornalística que leio  ou notícias que assisto nos telejornais sobre a politica brasileira , provoca-me o riso  e neste misto de ironia e perplexidade,   penso  no quanto  sou ingênua, pois ainda resta em mim, a pura esperança  de que a classe política poderia produzir atos  escrupulosos, sob o fundamento da honestidade e da ética,  ainda que mínima. Sim, é verdade! 
Como muitos já sabem, manifestei-me,  nas redes sociais, contra  o afastamento da presidente Dilma. Sinceramente,  ainda tenho dúvidas quanto ao crime de responsabilidade. Tenho  críticas ao governo dela, porém reconheço os pontos positivos. Entretanto, o fato concreto é que a presidente Dilma está afastada e assumiu interinamente o vice presidente Michel Temer. Ele é o governante do poder executivo.
Não é segredo para ninguém que  Michel Temer favoreceu a articulação do impeachment.  A mídia televisiva mostrou em  muitas reportagens, as reuniões e  encontros que ele promoveu no palácio do Jaburu com políticos para preparar a sua chegada ao poder. Sob o apoio da mídia tradicional ao governo dele, formou-se a expectativa do anúncio de medidas efetivas para o país que até agora não aconteceu. A prioridade,  tem sido as articulações políticas.
E as escolhas dos ministros,  alguns deles investigados? E o fato de não ter nenhuma mulher no primeiro escalão do governo? E a exclusão do ministério da cultura? E os negros, cadê eles? E a escolha do líder do governo na câmara de deputados?  (réu no STF, investigado por crime de homicídio, suspeito de corrupção). E a possibilidade de reformar a abrangência do  SUS? E a possibilidade do retorno da CPMF? E a possibilidade de pagamento de mensalidades nas universidades públicas? E os cortes no programa minha casa, minha vida?
Todos estes "atos" cometidos pelo interino terão apoio irrestrito do legislativo, especialmente se considerarmos a votação a favor da admissibilidade do impeachment nas duas  casas. 
Enquanto isso, lá na câmara...Cunha se defende no  conselho de ética, atribuindo ao "trust" o patrimônio da família, negando contas no exterior, etc, etc. E para encerrar o show de encenação hipócrita e desrespeitosa com o povo, especialmente com seus eleitores, ainda afirma que na próxima semana retornará ao gabinete, contrariando o decisão do STF. Esta é a  a cara da política, cheia de tretas. É por estas e outras  que  a reforma política é urgente no Brasil. Na minha opinião a limpeza deveria ser geral no legislativo e executivo, para que não tivéssemos a  sensação: é mais do mesmo?


Foto:Google imagens

Nenhum comentário:

Postar um comentário