quinta-feira, 23 de abril de 2020

Algumas ponderações da pandemia COVID 19.


Este texto é um relato da minha percepção diante da pandemia do coronavírus. Pretende, única e essencialmente expor algumas das ponderações que fiz durante o período de isolamento.
Que lição o COVID 19  tem  ensinado?  Como está nosso comportamento individual e o comportamento coletivo? Que valores são revistos, enquanto estamos voltados para nós mesmos? Quais falhas ficaram evidentes nessa crise? Como será a vida depois da pandemia? 
Lembro que quando a doença começou,  parecia apenas um problema local chinês.  Vi pela telinha um cenário semelhante a do filme  Epidemia (1995),  médicos, enfermeiros e funcionários da limpeza em hospitais, ficam irreconhecíveis devido aos equipamentos de proteção individual contra doenças infecto-contagiosa e pacientes lutando pela vida . Ao mesmo tempo, as ruas das cidades esvaziadas, pois a orientação médica para frear a propagação do vírus era e ainda é o isolamento social. Passado alguns meses desde que surgiu o primeiro caso, é preciso  reconhecer o bom exemplo do povo chinês em seguir o protocolo sanitário orientado pelos especialistas.
Conheci os rostos das autoridades da OMS (Organização Mundial da Saúde) que, diariamente, passaram a prestar informações sobre o avanço da doença no mundo, eles emitiram o alerta da doença em dezembro do ano passado. O primeiro óbito de um paciente chinês ocorreu no dia 9 de janeiro, esse dado me marcou, pois é o dia do aniversário da minha filha caçula.
No final do mês de janeiro, a OMS declarou emergência de saúde pública internacional, devido o surgimento da doença em outros países.  No Brasil o vírus foi importado com a chegada de um homem que voltou da Europa. Desde então, especialistas em saúde, infectologistas, pesquisadores passaram a disseminar informação e orientar a população sobre as medidas sanitárias que deveríamos adotar, como lavar bem as mãos com água e sabão.   Contudo, até o dia 11 de março, minha vida permanecia com a mesma rotina. Lembro que cheguei à noite da escola e assisti no telejornal que noticiava a declaração do diretor geral da OMS, Tedros Adhanon, que elevou o estado de contaminação à  pandemia  Covid-19, doença causada pelo coronavírus (Sars-Cov-2).
Na manhã seguinte, expressei minha preocupação à direção da minha escola sobre a importância de orientar os alunos quanto à prevenção do contágio. Tive a oportunidade de conversar com os alunos daquele turno sobre a situação. Fiz mudanças no meu planejamento de atividades e implementei-as, imediatamente, sendo que a primeira delas foi irmos para o banheiro da escola para lavar as mãos da forma correta. O decreto estadual e municipal suspendeu as aulas a partir do dia 19 de março. A partir daí, a mudança foi efetiva. O isolamento social passou a ser a regra em todo país. A hastag #FicaemCasa inundou as redes sociais e a tecnologia  possibilitou que nos  reinventássemos.
A experiência com o COVID-19 tem ensinado: a) somos habitantes do mesmo planeta, nesse sentido, constata-se que o contágio não ficou restrito a um único país, mas ultrapassou as fronteiras; Em pensamento visualizo um quadro que empurra o ser humano para o centro do planeta e trás uma questão: como anda esse relacionamento? O ser humano precisa perceber que está inserido no planeta, que faz parte do meio ambiente e que por estar inserido nesse meio ambiente, interage individualmente com ele. b) a condição humana é frágil, pois o vírus é um microorganismo pequeno e simples e tem o poder de adoecer o homem até a morte. A condição humana e a sua fragilidade, iguala todos nós, não diferencia etnia, gênero ou condição social. c) a luta pela sobrevivência e pela vida precede o direito à liberdade, nesse sentido cito como exemplo, a evidência da atitude de nos prendermos conscientemente em nossas casas, sozinhos ou acompanhados.
d) os idosos precisam de cuidados, assim como as crianças.
e) responsabilidade dos cidadãos perante a pandemia, é individual e coletiva ao mesmo tempo, pois as consequências não atingem somente uma pessoa, mas é extensiva ao grupo.
 f) que há uma mudança no mundo sob diversos aspectos e o mais pungente é o econômico.
Na luta contra o coronavírus, todos os especialistas em saúde afirmam que estão descobrindo a dinâmica da doença, todavia, já sabem que o vírus é transmitido pelas gotículas do espirro e da tosse, pelo contato com superfícies contaminadas. Ainda não há vacina, também não há medicamento específico para tratar a doença. Por enquanto, o medicamento mais eficaz é ficar em casa e adotar práticas de higiene e limpeza dos objetos e superfícies com mais freqüência, assim como, quanto aos cuidados pessoais, na família e na comunidade, pois são hábitos de prevenção que devem ser adotados por todos. Aqui no Sul, onde moro, temos a cultura da roda de chimarrão, porém agora, é cada um com seu próprio chimarrão.
O isolamento colocou-nos dentro de casa, tive e ainda tenho a impressão que o tempo modificou seu timing, tenho a impressão que o tempo desacelerou. O isolamento trouxe a oportunidade para revisitar em nós mesmos,  criticamente, os valores éticos da solidariedade, da empatia, do cuidado de si e do outro, do cuidado com o meio ambiente. Assisti muitas ações solidárias, inspiradoras, comprometidas com a causa de tornar esse mundo um pouco melhor!
O isolamento mostrou que há muitas pessoas que precisam de ajuda, mostrou as falhas de um sistema econômico que amplia e mantém as desigualdades sociais e problemas estruturais como a falta de saneamento básico em muitas localidades das cidades. O coronavírus obrigou governantes a pensarem no SUS e a fortalecê-lo, mas ainda falta muitas ações nesse sentido.
 Por fim, a última indagação de como será a vida depois da pandemia? Essa só poderá ser respondida no futuro.






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