sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

No Jardim da Aprendizagem: Cada estudante é único.

"A atenção dos estudantes é como um pássaro livre que sobrevoa um jardim repleto de flores. O professor precisa criar um jardim tão belo e atrativo que o pássaro escolha pousar em suas flores."

Nosso tempo está marcado pela profunda transformação na maneira como a juventude se percebe e se relaciona com o mundo. A era digital redefiniu os contornos das subjetividades, modificando a forma de estar e ser no mundo, desafiando  o paradigma passado, onde as identidades eram construídas de forma fixa e estável. 

Segunda Sibília: "Extinguiram-se as condições que permitiam produzir aquele tipo de subjetividade moderna que se poderia adjetivar de estatal, cidadã, pedagógica, institucional, disciplinar e introdirigida. Continua a haver escolas no século XXI, é claro: há milhões delas em todo o mundo, funcionando cotidianamente e afetando de modo direto as vidas de uma parte enorme da população planetária. No entanto, seu estatuto parece ser outro, pois se esgotou o dispositivo que as insuflava e, junto com ele, mudaram os tipos de corpos e os "modos de ser" que eram compatíveis com essa aparelhagem. Não se trata somente das subjetividades do aluno e do cidadão, mas também  das do soldado e do operário."

Como lidar com a diversidade de identidades e perspectivas em um mundo cada vez mais hiperconectado? Qual é o papel da educação neste novo cenário? Que novas competências e habilidades nós, professores, precisamos  desenvolver para acompanhar as mudanças?

Sibília, (p. 98) explica: "A dedução atual é:  as coisas deixaram de funcionar como se esperava porque os sujeitos contemporâneos já não carregam consigo as marcas sucessivas que cada instituição deveria ter imprimido em sua subjetividade, a fim de adequá-los cada vez mais a esses modos de ser e viver. Em vez disso, eles possuem outros traços e apontam para outras conexões."

 A escola, tradicionalmente vista como um molde rígido para todos, onde equivocadamente, presume-se que todos os  alunos seguem o mesmo ritmo, aprendem do mesmo jeito e no mesmo tempo, que ignora os diferentes estilos de aprendizagem, vem se deparando com a necessidade urgente de reconfigurar o seu paradigma, impulsionada pelas rápidas transformações tecnológicas digitais.

Logo, o primeiro desafio da escola está em superar os modelos tradicionais de ensino, como os métodos de ensino padronizados e excludentes para construir práticas pedagógicas inovadoras e inclusivas, mais individualizadas e flexíveis, que vão atender as necessidades específicas de cada estudante e assim, garantir que todos tenham oportunidades de aprender.

Outro fator presente em sala de aula, é a batalha do professor pela atenção dos estudantes, cada vez mais habituados ao consumo rápido de informações, a estímulos visuais como jogos on line, redes sociais, imagens e videos.  

Muitos de nós já ouvimos falar sobre a dificuldade que os adolescentes enfrentam para se concentrar em atividades que exigem foco, como estudar ou ler um livro. Mas a verdade é que essa dificuldade não é exclusiva deles. Nós, adultos, também passamos por isso. A correria do dia a dia, as distrações constantes, o estresse e a ansiedade podem nos deixar com a mente dispersa e com dificuldade de nos concentrar em uma única tarefa.

Portanto, a dificuldade de concentração é uma realidade que afeta tanto adolescentes quanto adultos. A era digital, com suas infinitas distrações, agrava essa situação. No entanto, o pensamento crítico continua sendo uma habilidade essencial deste mundo complexo e cada vez mais exigente. 

Nesse sentido, é fundamental que os professores se adaptem a essa nova realidade e busquem estratégias inovadoras para direcionar a atenção, estimular a leitura e o pensamento crítico. Ao oferecer um ambiente de aprendizagem rico e desafiador, e ao utilizar diferentes recursos e ferramentas, os professores podem ajudar seus alunos no engajamento.

 Disse Sibília (p. 118): "Seja como for, na fluidez contemporânea que destronou a solidez sobre a qual se erigia a transmissão de conhecimentos do dispositivo pedagógico, torna-se vital repensar os papéis do professor e do aluno."

 Ao analisar essa nova realidade Sibilia aponta para a mudança profunda na forma como crianças e adolescentes aprendem. Nas palavras de Juan Vasen, citado por ela: "Os múltiplos estímulos simultâneos e as constantes distrações do mundo contemporâneo provocam "vivências dominadas pela percepção, que se opõe à aprendizagem clássica que exigia a consciência, a memória e a palavra para gerar uma experiência."

Para Sibilia: "O pensamento de base perceptiva difere do reflexivo. Sabe-se pouco sobre essas transformações em curso, mas tanto a transmissão quanto a explicação parecem alheias à nova lógica."  Ou seja, a aprendizagem em videogames, por exemplo, ocorre de forma intuitiva e prática, sem a necessidade de uma reflexão consciente e racional. 

É importante que nós professores compreendamos essa nova lógica da aprendizagem, embora diferente da tradicional, não é necessariamente inferior. Ao contrário, ela pode complementar e ampliar as possibilidades do estudante aprender. Sendo assim, para que estejamos atualizados devemos fazer valer nosso direito à formação continuada, pois através dela, podemos aprender sobre  novas tecnologias, metodologias, teorias de aprendizagem e desenvolver as competências necessárias para mediar o processo de ensino e aprendizagem nesse novo cenário.

Afinal, em um mundo em constante transformação a educação portanto, se assemelha a um jardim florido, onde cada estudante é uma semente única com potencial de crescer e florescer. A diversidade de identidades e perspectivas que caracterizam a juventude do século XXI, requer uma escola capaz de acolher, cuidar e valorizar essas singularidades, oferecendo experiências de aprendizagem personalizadas e  significativas.

 Que pequenas ações podemos implementar na sala de aula para criar um ambiente de aprendizagem mais significativo e personalizado?



Por Lisiane Vieira Ortiz Martinez







Referência

Redes ou paredes: a escola em tempos de dispersão - Paula Sibilia; tradução Vera Ribeiro - Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.




Um comentário:

  1. Importante reflexão... Mas infelizmente ainda vemos um ensino tradicional e nenhum pouco atrativo...tudo muda o tempo todo... Nós, professores precisamos nos readaptar a nova geração ..

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