Hoje tive o privilégio de
conversar com muitas colegas de
trabalho. E entre os vários assuntos que rolou em nosso encontro, houve um que foi “pincelado” brevemente, mas
a escuta ensejou que eu refletisse um pouco mais e escrevesse algumas linhas a
respeito.
Trata-se da expectativa da família e da sociedade em relação às pessoas com deficiência.
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Tenho observado durante minha experiência profissional que as pessoas com deficiência precisam lutar
para derrubar a ideia da infantilização , que resulta do capacitismo, pois na grande maioria dos casos ocorre "super proteção" e "baixa expectativa" da família em relação ao filho com deficiência. Observei tal situação entre famílias de adolescentes e adultos.
Há alguns anos atrás, observei uma mãe com suas filhas já adultas, ambas com Síndrome de Down, mas que ainda não sabiam atravessar a faixa de pedestres e como voltar para sua casa. Tive a oportunidade de conversar com aquela mãe sobre o assunto e ouvir suas razões.
É uma realidade que está muito aquém da ideal¹. Primeiramente, é importante destacar que a expectativa em relação a um(a) filho(a) com deficiência não deve ser reduzida à sua condição. Cada pessoa é única,
têm sonhos, habilidades, interesses, sente alegria, frustração, tristeza, ama e também pode odiar. Enfim, é uma pessoa com direitos e deveres, que deve exercer a cidadania a medida que sua voz é ouvida e valorizada.
Outro ponto fundamental é a expectativa com relação à autonomia que precisa ser cultivada desde cedo. Isso envolve não apenas habilidades práticas, mas também a construção de uma autoimagem positiva . As famílias ajudariam muito, se não infantilizassem seus filhos adolescentes ou adultos com deficiência.
Compreendo que as mães se sentem inseguras por causa dos perigos que rodeiam o cotidiano, como a violência, por exemplo, porém é preciso confiar na capacidade que possuem para aprender e resolver situações da vida do jeito deles.
É preciso demonstrar que confia, mas não basta somente falar! É preciso demonstrar isso por meio de atitudes diárias, como por exemplo, permitir que o jovem faça escolhas, mesmo que isso signifique arriscar-se a cometer erros. Os erros são oportunidades valiosas de aprendizado! Afinal, quem nunca?
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Por Lisiane Vieira Ortiz Martinez
1- Ideal: aquilo que se aspira
Referência
Dicionário on line de Português


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