quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Construindo sonhos: Expectativas e Confiança para filhos com deficiência

Hoje tive o privilégio de conversar com muitas colegas  de trabalho. E entre os vários assuntos que rolou em nosso encontro,  houve um que foi “pincelado” brevemente, mas a escuta ensejou que eu refletisse um pouco mais e escrevesse algumas linhas a respeito.

Trata-se  da expectativa da família e da sociedade  em relação às pessoas com deficiência.
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Tenho observado durante  minha experiência profissional  que as  pessoas com deficiência  precisam  lutar  para derrubar a ideia da infantilização , que resulta do capacitismo, pois  na grande maioria dos casos ocorre "super proteção"  e "baixa expectativa" da família  em relação ao filho com deficiência. Observei  tal  situação entre famílias de  adolescentes e adultos.

Há alguns anos atrás, observei  uma mãe com suas filhas já adultas, ambas com Síndrome de Down, mas que ainda não sabiam  atravessar a faixa de pedestres e como voltar para sua casa. Tive a oportunidade de conversar com aquela mãe sobre o assunto e ouvir suas razões.

É uma  realidade que está muito  aquém da ideal¹. Primeiramente, é importante destacar que a expectativa em relação a um(a)  filho(a) com deficiência não deve ser reduzida à sua condição.    Cada pessoa é única, 
têm sonhos, habilidades, interesses, sente alegria, frustração, tristeza, ama e também pode odiar. Enfim, é uma pessoa com direitos e deveres, que deve exercer a cidadania a medida que sua voz é ouvida e valorizada.

Outro ponto fundamental é a expectativa com relação à autonomia que precisa ser cultivada desde cedo. Isso envolve não apenas habilidades práticas, mas também a construção de uma autoimagem positiva . As famílias  ajudariam  muito, se não  infantilizassem seus filhos adolescentes ou  adultos com deficiência.

Compreendo que as mães se sentem inseguras por causa dos perigos  que rodeiam  o cotidiano, como a violência, por exemplo, porém é  preciso confiar  na capacidade  que possuem  para aprender  e  resolver situações da vida  do jeito deles. 

É preciso demonstrar que confia, mas não basta somente falar! É preciso demonstrar isso por meio de atitudes diárias, como por exemplo, permitir que o jovem faça escolhas, mesmo que isso signifique arriscar-se a cometer erros. Os erros são  oportunidades valiosas de aprendizado!   Afinal, quem nunca? 
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Por Lisiane Vieira Ortiz Martinez


1- Ideal: aquilo que se aspira
Referência
Dicionário on line de Português


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