domingo, 13 de março de 2016

Respire fundo para ter fôlego, antes de tomar partido!

Os acontecimentos na política- midiática- jurídica, da última semana,  provavelmente deixou os brasileiros atônitos,  confusos ,  chateados  ou   mesmo felizes.

É muito bom  saber que as mazelas não ficam mais escamoteadas, todavia a tendência natural das pessoas  é   pré-julgar, especialmente quando as noticias na telinha não apenas mostram os  acontecimentos, mas favorecem e muito,  para a formação de opinião das massas.

Penso que momentos como esses,  requer de nós a  prudência intelectual do bom senso. Esta prudência implica em ler ou assistir notícias publicadas pela mídia com racionalidade e ao mesmo tempo, manter um certo distanciamento emocional que nos dá  o fôlego para fazer a releitura crítica. Será isso possível?

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Tivemos quatro acontecimentos bombásticos no campo jurídico ,político, midiático nas duas últimas semanas: 1) A publicação da “suposta” delação do senador Delcídio do Amaral à revista IstoÉ; 2) A condução coercitiva do Lula até o aeroporto de Congonhas; 3) A aceitação da Denúncia contra o presidente da Câmara dos deputados Eduardo Cunha. 
4) A Câmara e o Senado obstruírem  pautas até que seja decidido a questão do Impeachment da Presidente Dilma.


1    Delação Premiada: Delação não é instrumento de prova e sim um meio de obtenção. Ela deve acontecer de forma espontânea para esclarecer crimes praticados em concurso de agentes e poderá vir a  ter a minimização da pena,  já que o delator é um co-réu. 

A principio, a colaboração premiada,  é de acesso do juiz e das pessoas citadas nos autos, portanto, resta a dúvida, se houve de fato o vazamento e se houve, seria um vazamento seletivo ou a matéria publicada pela revista IstoÉ, é fantasiosa?

2    Condução coercitiva: O Instituto da Condução coercitiva pressupõe que a pessoa tenha sido intimada para comparecer em juízo, mediante mandato e tenha deixado de atender ao chamamento judicial.

Apesar de toda comoção que causou o ato, os cidadãos brasileiros tem o direito de saber a verdade e a expectativa é que tal verdade seja apurada, mas sem atropelos, porque a conseqüência me pareceu  desastrosa.
Compartilho uma citação que li no artigo do Jusbrasil: "Todos queremos que Lula preste contas de tudo de que é acusado. Mas em sã consciência, se a lei exige intimação prévia para se decretar a condução coercitiva, não tendo havido essa intimação, não pode acontecer a  condução. Tudo claro, como a luz do meio dia. Sem a causa, não se  pode extrair o efeito. Sem a massa, não se faz o pão. Sem o ar, não se respira. Sem oxigênio, não existe água. Sem o sol, não existira o sistema solar. Sem Helena, não haveria Troia. A lei não foi atendida. O fundamento apresentado por Moro (condução para evitar tumulto) não está na lei.
http://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/311719196/conducao-coercitiva-do-lula-i-legalidade-e-a-busca-da-verdade-aletheia

 Aceitação da Denúncia de Eduardo Cunha pelo STF: Eduardo Cunha do PMDB-RJ  inaugurou, na história do país,   o protagonismo de ser o primeiro Presidente da Câmara de Deputados,  réu de ação penal. Esta, por sua vez, visa apurar responsabilidades penais. É um mecanismo jurídico importante, uma vez que se constitui um instrumento de defesa social.

O que vem a ser Denúncia? É o pontapé inicial da ação penal e a partir dela é que  tem inicio a atividade judiciária.
Tem cabimento salientar que apesar de ser um fato histórico inaugural, não produziu o resultado midiático tão alarmante quanto o fato do Lula. Esse fato histórico ficou na invisibilidade, pois a mídia televisiva, apesar de  ter noticiado,  não usou os seus holofotes nem seus megafones, tornando-o de pouca importância.

 A obstrução de pautas no Congresso indica que os Deputados e Senadores não vão “ trabalhar” até que se instale a comissão do  Impeachment,  em nome da “crise política”, diga-se de passagem,  provocada pela maioria eles. 
E você leitor(a) o que pensa desta escolha dos deputados?

Portanto, quero propor aqui uma pausa para o discernimento intelectual. Não é  ser “apática”,  não é “ser morna”, não é “ser acrítica”, bem como não significa “defender Lula e Dilma”.
Todos os brasileiros detém o direito de saber a verdade e de esperar que a justiça seja feita, com as devidas conseqüências dos atos ilícitos praticados e devidamente comprovados.

Entretanto,  as investigações ainda não foram concluídas e os  processos ainda estão em andamento,

 O que proponho é não se deixar levar pela posição da grande  mídia que tomou partido  no dia do resultado das eleições e que desde então,  tem   lançado sementes para retirar do governo a presidente.


Sei que não é fácil conservar esse discernimento, mas considero imperioso para  perpetuar o senso de justiça e a imparcialidade intelectual, não  ingressando  na manobra midiática que a todo custo, quer  a colheita  dos resultados que plantou e que vem plantando a cada dia na telinha dos telejornais.


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